terça-feira, 15 de junho de 2010

Quando a cafeína ainda era pouca no sangue...


Eu volto aqui todas as noites,
pra olhar de longe como você está.
Eu olho de longe, eu finjo que não sou eu.
Eu finjo não estar.
Tomo um café, acho que estou lendo um livro.
Não sei nem o título.
Peço algo pra comer que eu nem sei o quê.
Você nem sabe, você nem sonha.
Com o que eu sonho.
Você.
O frio fica mais longe, rasga a pele.
Causando arrepios.
O café desce, o café esquenta.
E eu só olhando.
Não importa, você não vai me ver,
você não vai sentir.
Nunca pedi, nunca me deixei ver.
Conheço cada linha, cada expressão.
Cada sorriso, cada mordida no canto da boca.
Conheço caras e bocas.
As mãos.
Mas você não me vê, não me sente.
Eu não te deixo sentir.
Nem ver.
Tudo em um silêncio repentino, tudo em um caos invisível.
Acho que você nem me conhece.
Um mero estranho, uma pessoa estranha.
Que senta aqui e te olha simplesmente.
Te olha como se nunca mais fosse te ver.
É, posso nunca mais sentir.
Posso nunca mais olhar.
Boto mais açucar nesse café amargo.
Dou o último gole.
Fecho o livro (que ainda não descobri o título).
Deixo a conta na mesa.
Afinal, nunca vai me conhecer.
Nunca vai me ver.

2 comentários:

D'Angelo Rosenheim disse...

Pessoas podem ser fascinantes, enquanto não as conhecemos. Gostei do blog.

fe013 disse...

Você escreve demais.
Beijos.