quinta-feira, 19 de agosto de 2010



Você sabe que eu não sei parar.
Você sabe que eu não sei ficar parado.
Você sabe que eu quero abraçar o mundo.
Você sabe que eu sou teimoso.
Você sabe que as coisas são sempre do meu jeito.
Você sabe que minha vida não tem freios.
Você sabe que eu sou assim.
Você sabe porque você me escolheu.
Você sabe.
Você sempre sabe.
Sabe que eu mudo do nada para o nada.
Sabe que meu mundo é infinito;
Sabe que eu não sou uma coisa só.
Sabe que tudo é como deveria ser.
E se não é eu teimo mesmo assim.
Você sabe quando me machuca.
Você sabe quando precisa ir embora.
Mas você sempre fica.
Você sabe.
Sabe quando eu preciso de carinho.
Sabe quando eu preciso de bebida.
Sabe quando eu quero ouvir o silêncio.
Sabe quando precisa me falar algo.
Sabe que eu vou ser sempre assim.
Que eu nunca vou mudar.
Vem, vai, fica.
Nem você sabe.
Nem eu sei.
Sabe que seu cheiro me deixa louco.
Sabe que eu gosto de enlouquecer.
Sabe que eu não faço nada.
Mas que eu morro de vontade.
Sabe de todas as minhas loucuras,
e também minhas sanidades.
Sabe que eu não sei mudar.
Sabe que é parte do meu corpo.
E que sempre vai ser.
Sabe que é o café e não o leite.
Sabe que não tem frescura.
Não em mim.
Sabe que é puro tanto quanto arde.
Sabe que eu sou assim.
Morre e renasce todos os dias em mim.
Cresce e explode.
Cura e adoece.
Sempre assim.
Sempre ciclos.
Sempre tudo que eu não posso ser.
Não posso ter.
Nem sonhar.
Sabe.
Sempre sabe.
De tudo.
De todos.
E tudo acaba na mesma intensidade que começa.
Como um sonho.
Como uma xícara de café vazia.
Com borrão no fundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

(Cena do filme 'Apenas O Fim', esse filme me afetou!)


Costume de ter dois pares de pegada.
Sempre.
Já não sei mais o som dos meus próprios passos.
E reconheço o valor do silêncio.
Dizer oi e só ouvir os ecos ao longe:
- Oi oi oi...
Reconheço o valor do eco.
Do simples.
E do eu.
Sorrir para o espelho
e ter meu tempo.
Meu próprio tempo.
Já não há mais validade nas palavras.
Meu silêncio.
E já não quero mais escutar.
Sempre tentamos.
Nunca aprendemos.
Tudo que um dia foi lei,
hoje é só papel rasgado.
Gasolina e queima.
Vira pó.
Dinheiro velho, sem valor.
Sem crédito.
Meus passos ecoam e eu ouço.
O valor do silêncio.
Palavras de renúncia,
treinadas em um palco vazio.
Melhor que platéia vazia.
Sem corpo e sem alma.
Sem olhar de vidro.
Apenas meus próprios passos.
E meu silêncio.
Meu.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O museu.

Ela já era velha. Sim, digo velha sem pena nenhuma, afinal temos idosos e temos velhos e nem sempre os velhos são tão idosos assim. Sempre fora sozinha para resolver todos os problemas surgidos em sua vida. Não tinha marido, não tinha filhos. Não tinha nada.

Quando tinha seus 30 anos, se separou do marido (em uma época em que mulheres fazerem isso era sinônimo de rebeldia e problemas sociais com as outras mulheres da sociedade). Nunca ligara para a sociedade, ‘ela que se exploda’, dizia. Nunca entendeu como, com sua boca enorme e as palavras não contidas, não havia sido presa. Mas voltando. Sem maridos e sem filhos, criou sua “empresa”, afinal, um ateliê de obras programas seria considerado empresa? Vendia protótipos de produtos e imagens para todo tipo de pessoa.
O mundo é preguiçoso e para equilibrar a preguiça mundial, nada melhor que pessoas que tenham falta disso em dobro (deu para entender?), para todos. E era assim que era. Pintor falido precisando de uma grana? Manda a ideia e a grana que lá o quadro é pintado, assinado e resenhado para posteriores e chatas explicações sobre a técnica e o processo de criação.
            
Sua casa refletia seu estado de espírito constante, trabalho, trabalho e trabalho. Três computadores, um notebook, uma máquina de escrever, uma biblioteca ocupando um a enorme sala, quadros, desenhos, esboços, móveis inacabados, discursos pendurados, papéis pelo chão, três celulares descarregados, cheques, notas soltas, alguns gatos, comida de gato, xícaras e canecas espalhadas, cartuchos de impressora e coisas assim. Tudo muito repetido e pela casa toda. Ela era o trabalho.



            Depois de se casar, nunca mais tentou um relacionamento sério que abalasse o ritmo de seu trabalho. Humanos são mais complexos e deles me bastam os clientes. E eram muitos, muitos nomes famosos, muitos que serão famosos e nenhum por mérito próprio.
Ninguém consegue nada sozinho, ninguém cria sem copiar.
Nem ela.

A arte imita a vida e sem vida, a arte é só a casca largada.

E ela assim foi, sem nem ao menos virar borboleta.

Sem nem ao menos viver suas 24 horas.

Sem nem ao menos viver.

Sem nada.


E você, continuará para os outros?

terça-feira, 13 de julho de 2010


Vá e corra com a vida, deixe ela te levar à lugares que você nunca sonhou.
Vá, coloque tudo em uma mala e parta. Conheça todas as pessoas do mundo. Aquelas que te farão rir e te farão chorar. Todas que tem o direito e um pouco mais.
Beba, fique de porre e tenha muitas dores de cabeça.
Veja, seja, sinta, fale, grite, fique em silêncio. Se mude, não tenha onde dormir, se case, tenha filhos, seus três, como sempre sonhou.
Corra com a vida, se case com ela.
Eu estarei aqui, com um bom livro nas mãos, boas noites de insônia, como não deve deixar de ser. Uma boa taça de vinho e a varanda, tendo o infinito qcomo jardim particular.
E eu estarei aqui. Como você um dia viu, como um dia você deixou pela vida.
E quando seus pés se sentirem cansados do mundo, a chave estará embaixo do carpete.
E o café sempre quente.

quinta-feira, 8 de julho de 2010



Em um simples olhar de janela,
olhar todas as coisas que você jura não perceber.
Tudo que passa diante dos seus olhos e você finge não ver.
As pessoas em suas vidas comuns,
quase tão comuns quanto a sua.
Não, não há tempestade no céu e o frio não te incomoda.
Você quer a tempestade para o visual mudar, pra algo te atingir.
Você quer a mudança.
A rotina sim te incomoda.
O café nosso de cada dia.
A dança dos dias.
Está morta e você quer vida.
Você não realiza os sonhos, porque fica vendo a tempestade chegar.
Cada dia é um dia amigo.
Cada dia é diferente, por mais que pareça uma cópia, de uma cópia, de uma cópia.
Se tudo igual te incomoda, se tudo igual não faz diferença.
É porque não há diferença.
E você já não sabe mais dançar.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Copa do Mundo, as eleições de 2010, a crise na Europa e eu...




Existe um quadro de acontecimentos aleatórios e ao mesmo tempo complementares rodando o globo.
            A Copa do Mundo institui um sentimento de nacionalismo e/ou patriotismo em (quase) todo cidadão, não só brasileiro como de todo o mundo. Querendo ou não, o futebol ocupa a cabeça, “deixando de lado” as preocupações. Crises e eleições parecem menores diante da grandiosidade do Evento.
            Mas o que eu, Cristina, 19 anos, brasileira qual não dá tanta importância ao futebol, que nunca votou em um presidente e busca crescer em um mundo competitivo e concorrido, acho de tudo isso? Onde eu estou nesse labirinto de acontecimentos?
            Para um lado eu vejo promessas de um país melhor, para outro vejo investimentos exacerbados em futebol e ao mesmo tempo vejo o bloco global de mais desenvolvimento econômico em crise, justamente no setor financeiro. Em alguns momentos, vejo nisso tudo uma grande contradição e a Copa no meio, como um certo placebo para todos esses problemas.
            A Copa não vai resolver problemas econômicos, de saúdo ou educação, não vai fazer o povo lutar por seus direitos e nem fazer com que eles cumpram seus deveres como se deve. No entanto, para um povo que se vê rodeado de problemas durante sua vida, ter um motivo de orgulho para seu país, talvez seja bom.
            Eu, particularmente, quero que o Brasil alcance um prêmio maior que apenas a taça, quero que ele cresça, sem bases que fiquem na promessa, mas que passem para a ação, para que eu, Cristina, 19 anos, brasileira que não dá tanta importância ao futebol, que nunca votou em um presidente, viva e cresça em um mundo um pouco menos maniqueísta (no sentido de tantas disparidades que existem).




Ah, escrevi esse texto com o tema do título, em uma entrevista de emprego, algum tempo atrás.  Dessas ideias que surgem do nada e tomam forma em 5 minutos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quando a cafeína ainda era pouca no sangue...


Eu volto aqui todas as noites,
pra olhar de longe como você está.
Eu olho de longe, eu finjo que não sou eu.
Eu finjo não estar.
Tomo um café, acho que estou lendo um livro.
Não sei nem o título.
Peço algo pra comer que eu nem sei o quê.
Você nem sabe, você nem sonha.
Com o que eu sonho.
Você.
O frio fica mais longe, rasga a pele.
Causando arrepios.
O café desce, o café esquenta.
E eu só olhando.
Não importa, você não vai me ver,
você não vai sentir.
Nunca pedi, nunca me deixei ver.
Conheço cada linha, cada expressão.
Cada sorriso, cada mordida no canto da boca.
Conheço caras e bocas.
As mãos.
Mas você não me vê, não me sente.
Eu não te deixo sentir.
Nem ver.
Tudo em um silêncio repentino, tudo em um caos invisível.
Acho que você nem me conhece.
Um mero estranho, uma pessoa estranha.
Que senta aqui e te olha simplesmente.
Te olha como se nunca mais fosse te ver.
É, posso nunca mais sentir.
Posso nunca mais olhar.
Boto mais açucar nesse café amargo.
Dou o último gole.
Fecho o livro (que ainda não descobri o título).
Deixo a conta na mesa.
Afinal, nunca vai me conhecer.
Nunca vai me ver.